A inteligência artificial mais do que provavelmente será responsável por alguma espécie de renascença tecnológica. Embora já seja responsável por coisas extraordinárias, a A.I. não se encontra ainda em seu estágio revolucionário – mas isso não impede que os especialistas façam algumas previsões intrigantes, para dizer o mínimo.

E esse é o caso de John McNamara, diretor do Centro de Inovação Tecnológica da IBM. Ele recentemente forneceu evidências ao Comitê de Inteligência Artificial da Câmara dos Lordes do Parlamento do Reino Unido, e disse que lá por 2040 nanomáquinas com inteligência artificial estarão em nossa corrente sanguínea, efetivamente criando seres humanos com poderes ampliados por máquinas.

“Isso vai assegurar grandes benefícios do ponto de vista médico para o indivíduo, tais como ser capaz de reparar danos às suas células, músculos e ossos”, ele declarou em uma audiência junto ao Comitê, acrescentando que isso acabará aprimorando a estrutura biológica original do ser humano.

“Além disso, com base na tecnologia que já foi explorada hoje em dia, nós antecipamos a criação de uma tecnologia que poderá unir o biológico ao tecnológico”, McNamara afirmou. Ele explicou que um pouco mais de desenvolvimento e poderemos “aprimorar a capacidade cognitiva humana diretamente, potencialmente oferecendo grande melhora das habilidades mentais do ser humano, o que nos tornará capazes de usar o poder dos computadores para incrementar nosso processos cognitivos.”

McNamara prosseguiu e sugeriu que nosso meio ambiente será também alterado pelas nanomáquinas e pela Inteligência Artificial, de modo que seremos capazes de nos conectar ao ambiente circundante e interagir com objetos usando apenas pensamentos. Controlar sua casa, carro, TV, computador e outras coisas como um Jedi? Não será problema, padawan, desde que você possa esperar mais vinte anos… e seja um cidadão do primeiro mundo com dinheiro no bolso.

Neste momento você deve estar pensando que essas previsões podem ser um bocado irreais e exageradas, no sentido de que elas são até possíveis, mas não em tão pouco tempo. Você poderia estar certo, mas lembre-se que a IBM tem uma história de fazer previsões sobre tecnologia que acabam se confirmando em um futuro próximo, e que coisas como laboratórios médicos do tamanho de um smartphone provavelmente já existirão lá por 2022. Além disso, companhias como a Microscoft já estão desenvolvendo computadores com base no DNA humano que poderão viver dentro das células do nosso corpo em procura de falhas no sistema, como câncer.

Sim, 2040 está ainda longe para nós, do momento presente, e a percepção do futuro é incerta nessa atual distância temporal. Mas se você considerar essas previsões como um guia geral sobre para onde estamos rumando, então com certeza você concordará que estamos diante de um estranho, excitante e preocupante futuro.

É que como o Comitê da Câmara dos Lordes é focado nos aspectos éticos da Inteligência Artificial, principalmente nas implicações para o mercado de trabalho, desemprego e desigualdade social, McNamara enfatizou que esse salto tecnológico “não estará disponível para qualquer pessoa”.

“Hoje, ser pobre significa ser incapaz de comprar o último smartphone”, ele disse, “mas amanhã isso pode significar a diferença entre, de um lado, um grupo que potencialmente terá acesso a um extraordinário aumento de suas habilidades físicas, capacidade cognitiva, expectativa de vida e saúde, e, de outro, um grupo maior que não terá acesso a tais coisas”.

Jochen Leidner, diretor de pesquisas da Thomson Reuters, também alertou que “minorias podem se encontrar em situação de clara desvantagem ou excluídas do acesso a serviços essenciais”.

Isso significa que a sociedade não está preparada para o progresso da inteligência artificial? É o que o Data Society Research Institute (uma organização sediada em Nova Iorque e composta de especialistas em Big Data) publicamente perguntou quando também apresentou seus estudos ao Comitê da Câmara dos Lordes.

“As implicações do desenvolvimento da Inteligência Artificial serão tremendas e não há como prevê-las completamente”, os pesquisadores do Instituto afirmaram em uma declaração, acrescentando que o adequado diálogo da comunidade científica com a sociedade é um ponto decisivo da questão. Caso contrário, as pessoas simplesmente terão medo diante da Inteligência Artificial. “Acreditamos que a forma mais produtiva de o público em geral preparar-se para a expansão do uso da Inteligência Artificial seja compreendendo as limitações e possibilidades dessa tecnologia”, acrescentaram.
Em um adendo perturbador, o Instituto prossegue e alerta que devemos nos preparar para a possibilidade de que a Inteligência Artificial venha a ser controlada por companhias poderosas. “Se a tecnologia da Inteligência Artificial puder progredir sem a existência de regras claras e supervisão, é provável que venha a beneficiar grandes corporações aos custos de trabalhadores individuais”.

Os especialistas parecem concordar que essa previsões podem ser exageradas apenas na estimativa do momento em que ocorrerão, e não na certeza de que serão confirmadas pelos fatos. Nesse caso, se poderá haver dificuldade de acesso a novas tecnologias para os mais pobres, podemos nos perguntar qual será o papel de sociedades como a brasileira, que ainda enfrentam problemas de infraestrutura básica, em um mundo no qual essas inovações estarão primeiramente disponíveis a cidadãos e governos de países já plenamente desenvolvidos. Pagaremos um preço ainda mais caro pelo nosso atraso e descaso da classe política?

 


Fontes:
– IFLSC: Robin Andrews, AI Nanomachines Could Soon Allow Us To Control Things With Our Minds;
– The Telegraph: Sarah Knapton, AI implants will allow us to control our homes with our thoughts within 20 years, government report claims;