OHiper-humanismo não é uma religião. O nascimento das religiões foi o evento que marcou o grande desvio da história humana na Revolução Neolítica, momento em que o homo sapiens perdeu contato com uma linguagem arquetípica capaz de impulsionar a evolução de sua consciência. Toda religião institucionalizada é uma organização humana que literaliza metáforas e arquétipos a serviço do sectarismo, interpretando de modo primitivo fenômenos que são apenas compreensíveis no âmbito do hipercontexto. A religião é o oposto da espiritualidade, se por espiritualidade entende-se o aprimoramento da consciência humana para além dos limites do ego através do desenvolvimento de uma linguagem arquetípica.

O Hiper-humanismo não é uma ideologia política. A própria política é resultado do grande desvio da história humana, momento em que o homo sapiens renunciou ao desenvolvimento de uma linguagem que conciliasse os interesses de indivíduos e grupos em um plano de interação superior aquele no qual opera o ego humano. O Hiper-humanismo não propugna o fim da política por não haver sentido em propugnar o fim de um mero sintoma da raiz do desentendimento humano – a falta de uma linguagem evoluída. No atual plano em que se encontra a consciência humana, o exercício da política é mal necessário, na tentativa de conciliar interesses contrapostos. Porém, o Hiper-humanismo não se identifica com nenhuma ideologia pois a real solução para os principais problemas da civilização não é a modificação de suas estruturas, e sim a evolução da consciência, pois estruturas opressoras, quando superadas, apenas dão origem a novas estruturas opressoras se as consciências permanecem enredadas na lógica coisificadora que se seguiu à Revolução Neolítica.

OHiper-humanismo não é uma técnica de auto-ajuda. As técnicas de auto-ajuda associam o “pensamento positivo” ou uma “reorientação da vontade consciente” a supostas mudanças no mundo observável, propondo que o ego humano é capaz de mudar, pelo otimismo e autoconfiança, a realidade conforme sua escala de valores e prioridades. Trata-se de uma grosseira simplificação da condição humana. Para o Hiper-humanismo, o autêntico aprimoramento depende de um processo difícil e por vezes doloroso, no qual cada ser humano precisa confrontar a sua própria sombra e reconhecer todas as projeções emocionais que seu ego confunde com a realidade. Tal processo não depende apenas da vontade consciente, mas de operações arquetípicas situadas além dos limites da consciência humana.